Existem terapeutas de PNL?
No fórum de PNL no Yahoogroupos e no Orkut já respondi esta dúvida dezenas de vezes.
Em meu ponto de vista não existem terapeutas de PNL. Existem profissionais de Coaching – um tipo de treinadores motivacionais – que utilizam PNL, bem como psicoterapeutas – com formação em Psicologia Clínica – que utilizam técnicas de PNL. E também existem terapeutas alternativos, também chamados de terapeutas holísticos, que utilizam procedimentos de PNL.
Porquê? Porque PNL não é uma profissão. Não existe um “pnelista”, apesar de muitos usarem o termo… E não existe “terapia de PNL”. Só existe mesmo psicoterapia, e talvez um psicoterapeuta tenha habilitação em PNL. Como também um administrador, um comunicador, um gerente, um político, um ator, um professor, um advogado ou um policial podem ter formação em PNL, e isto é vantajoso em suas profissões.
Um diploma em PNL – seja de Practitioner, Master ou até de Trainer – não é sozinho um aval social para praticar psicoterapia. E nem significa que um curso desses – que não tem estágio prático supervisionado e poucas horas de duração – possa, efetivamente, cobrir todos os aspectos para que um profissional responsável se arvore a clinicar…
O Practitioner não tem habilitação profissional registrada. E nem o Master Practitioner tem uma habilitação registrada como uma designação profissional. A formação em PNL é um curso livre, aceita pela convenção de seus pares e simpatizantes, não pela sociedade como um todo.
PNL é um conjunto de ferramentas de comunicação e investigação sobre o comportamento e o pensamento, adaptados de estudos de Etologia, Neurociência, Cibernética, Teoria dos Sistemas, Psicolinguística e Hipnose Moderna. PNL é também uma abordagem de acompanhamento da experiência subjetiva. Com sua roupagem simplificada pode ser muito eficaz para qualquer pessoa que queira trabalhar com comunicação e persuasão. E por isso pode ser útil para que psicoterapeutas se tornem mais eficazes.
Como toda caixa de ferramentas, é lícito que um profissional a empregue. Mas dispor de uma caixa de ferramentas não torna ninguém um profissional, da mesma maneira que não adianta você ter um bisturi no bolso (e até saber usá-lo) para ter a autorização de entrar em um hospital e operar uma pessoa…
Os cursos de formação em PNL são abertos para quaisquer pessoas que tenham formação superior, seja em qualquer faculdade. Sendo assim, vemos muitos advogados, professores, jornalistas, fisioterapeutas, administradores, economistas, engenheiros, psicólogos, enfermeiros, teólogos, professores de educação física e outros mais se formando em PNL.E a medida que estes progridem nos estudos, muitos sentem vontade em se profissionalizar em uma área onde possam utilizar os conceitos de PNL. Isto ocorre porque a história da PNL começou com o estudo de grandes psicoterapeutas, e muitos exemplos da PNL são retiradas de intervenções psicoterapêuticas. Assim é comum que o entusiasta por PNL se encha de referências de sucesso de intervenções psicoterapêuticas e de início se interesse em trabalhar com psicoterapia.
Vejam o exemplo do que ocorreu no início do século vinte com a Psicanálise. Até hoje são uma formação livre, não uma profissão específica, apesar de muitos os confundirem com psicólogos. Mas com o tempo obtiveram um respaldo – hoje em dia possuem um código específico no Ministério do Trabalho para fins de imposto de renda e aposentadoria e são aceitos pela sociedade como uma forma de terapia de apoio.
A sociedade é um jogo de consenso, e este jogo é mutável. Atualmente se percebe uma cada vez maior aceitação da formação global (isto é, o somatório da formação tripla de Practitioner, Master Practitioner e Coaching) como uma formação aceitável para habilitar um profissional a se tornar um aconselhador profissional, seja no desenvolvimento de potencialidades e competências profissionais, seja no desenvolvimento de potencialidades e competências pessoais.
Se um profissional já possui um histórico curricular de trabalho em empresas, possui experiência gerencial e uma pó-graduação e decide trabalhar como consultor, cai bem em seu currículo acrescentar a formação em PNL e em Coaching, para trabalhar junto à empresas e para equipes.
E se um profissional já tem atuação na área terapêutica, seja como psicoterapeuta registrado (psiquiatria, psicologia clínica), seja como terapeuta paralelo (psicanalista ou outra formação similar), esta formação em PNL e Coaching é bem vista para aprimorar a especialização como aconselhador pessoal.
Será que a PNL deve ir pelo mesmo caminho da Psicanálise? Os jovens, em início de carreira, se interessam em se “profissionalizar em PNL” e muitos questionam porque não lutamos para tornar a PNL uma profissão. Sempre respondo que um profissional que utiliza a PNL em funções psicoterapêuticas no seu dia a dia não deveria se chamar “terapeuta de PNL”, e sim apenas “psicoterapeuta”, se tiver a formação em Psicologia e inscrição no CRP (Conselho Regional de Psicologia), ou “Terapeuta Holístico”, se tiver a formação em Terapia Holística e inscrição no CFTH (Conselho Federal de Terapias Holísticas ou algo assemelhado).
Como informação adicional, não existe curso de PNL na formação de Terapeuta Holístico. Mas muitos terapeutas holísticos fazem também a formação em PNL, e agregam esta abordagem em seu trabalho.
Assim, considero que a PNL deveria enfatizar mais a sua busca de reconhecimento como disciplina, e não como profissão. Como é um útil instrumento de comunicação e aprendizagem, deveria ser uma cadeira optativa em todo curso de licenciatura, como parte da formação em didática de qualquer educador e professor. Além do mais, noções de PNL deveriam ser uma recomendação útil como complemento de formação para qualquer profissional que lide com o público, tais como policiais, funcionários de banco, advogados e juízes, atendentes de companhias aéreas e operadores de telefonia.
Como ferramenta, a PNL serve para múltiplos usos, assim como uma faca pode servir para um cirurgião, para um açougueiro ou para um artesão. A PNL é eficaz para qualquer pessoa que queira trabalhar com comunicação e persuasão e pode ser muito útil para psicoterapeutas. Mas também pode ser útil para administradores, professores, comunicadores, vendedores, terapeutas ocupacionais e muitas outras funções que devem, por dever profissional, interagir com outras pessoas, seja se comunicando bem, motivando-as ou entendendo-as melhor para melhor servir em suas respectivas áreas.
Esta múltipla atuação da PNL é mais dignificante do que atrelá-la a apenas uma profissão específica, uma sub-espécie de psicoterapia.
Talvez esteja me alongando demais, mas posto isso aqui para muita gente que está lendo e pode ter esta idéia de se “profissionalizar em PNL”. Convém avaliar se há bastante seriedade e solidez no caminho que cada um pretende para a vida. Intitular-se “terapeuta de PNL” não se justifica a longo prazo, pois provavelmente este tipo de título sofrerá alguma limitação, em comparação a um psicoterapeuta formado. Mas se for um profissional formado em psicoterapia que tenha, em adição, a formação em PNL, isto é adequado.
Eu sempre sugiro que todas as pessoas formadas em PNL, antes de decidir clinicar, canalizem produtivamente o seu entusiasmo e pensem em adotar um caminho socialmente aceitável. Recomendo que analisem cuidadosamente o seu projeto de vida; em que desejam trabalhar e qual são suas metas para o futuro. A PNL ensina como fazer isso.
A sociedade não vê com bons olhos a profusão de terapeutas alternativos. Com o tempo, a experiência e o desenvolvimento de uma boa reputação, um terapeuta alternativo pode fazer sucesso e ser aceito socialmente, mas isto não é uma regra geral.
O importante é decidir qual é o melhor futuro possível que a pessoa deseja para si. E se perguntar se a opção se justifica no longo prazo ou se é só um entusiasmo e uma forma de ganhar dinheiro no curto prazo. Pois se assim for, talvez seja um caminho um pouco decepcionante, pois obter clientes para terapia não é algo fácil.
Por exemplo, uma pessoa formada em Administração pode se apresentar como um profissional de Coaching de Negócios, ou Coaching Executivo. O seu currículo e sua experiência profissional vão contar muito aí. Usualmente um Coach Executivo necessita mostrar em seu currículo que teve ou tem experiência gerencial coerente com a sua pretensão de aconselhar executivos (ou candidatos a executivos).
E um Coach Pessoal, que faz o que é conhecido como “life coaching”, usualmente tem uma formação básica em uma profissão que lhe deu experiência em orientar pessoas para o que elas desejam. Muitos são psicólogos, psicopedagogos, enfermeiros, fisioterapeutas ou profissionais de serviços sociais. Outros são até filósofos ou teólogos. Mas os há até contadores, que ensinam as pessoas a organizar as suas finanças, e existem alguns que começam em sua área especializada e, com o conhecimento e experiência, abrangem mais funções e aptidões de Coaching.
Se, mesmo depois destas considerações, você é um dos que decidirem se profissionalizar em psicoterapia com PNL, considere a opção de assumir a responsabilidade de fazer uma faculdade de Psicologia – ou uma especialização em Psiquiatria, se sentir que o seu caminho é a Medicina… Estes títulos conferirão a autorização legal – e também a responsabilidade legal – para utilizar a PNL de uma forma psicoterapêutica.
Agora, se preferir um caminho de Aconselhamento pessoal não focado em resolver questões psicoterapêuticas, considere a possibilidade de aprofundar a sua formação, após o Master, obtendo a certificação de Coaching.
E, mesmo assim, entenda que estes títulos não são formalizações aceitas pela sociedade. Um profissional com apenas títulos em PNL e Coaching, para a sociedade possui apenas cursos livres. Ele ainda será avaliado pela sua formação básica, e se esta se coaduna com a atividade específica em que atua.
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