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Mudança de Hábitos – Técnica da Lua

Apresentação de uma técnica para modificação gradual de hábitos, a partir da influência psicológica (e cultural) dos ciclos lunares.

Mudança de Hábitos – Técnica da Lua
Antonio Azevedo

Muita gente já ouviu falar sobre como podemos mudar hábitos em 21 dias ou em 30 dias. Como exemplo dos textos que encontramos na Internet falando sobre isso, vejam alguns abaixo:

http://www.patriciamuller.com/101/dicas/experiencias-de-30-dias/

http://www.comoaprenderjapones.com/como-criar-um-habito-em-21-dias/

http://curtavida.com/forme-cinco-habitos-para-mudar-de-vida

Esta questão dos 30 ou 21 dias para mudar não proveio de uma pesquisa com metodologia científica e sim de literatura já antiga sobre motivação, auto-ajuda e mudança de vida.  Hoje é práticamente impossível localizar o primeiro autor que escreveu sobre isso. Talvez seja Napoleon Hill ou Norman Vincent Peale…  Descobrir isso exigiria uma extensa pesquisa que ainda não tive tempo de fazer.

Mas mesmo que não seja possível se realizar uma pesquisa científica exata sobre isso – o número de variáveis individuais é muito grande para que se possa identificar que uma pessoa forma um hábito em exatamente um período de tempo – o que nós sabemos é que a formação de um hábito é uma “construção” neurológica, a formação de novos caminhos sinápticos no cérebro. E isso não acontece em termos de dias, e sim de semanas.

Alguns dizem que este número mágico “21 dias” foi cunhado como uma forma de motivar as pessoas – é menos do que um mês. No entanto, tenho para mim que este número 21 foi extraído da literatura esotérica, e não da científica, se bem que alguns estudos matemáticos também apreciam bastante este número (*).

Os escritores de auto-ajuda beberam de fontes filosóficas metafísicas, numerológicas e astrológicas mais antigas. Nesta interpretação, a mente humana seria regida por um ciclo lunar de 28 dias, similar ao que rege as marés, a agricultura e a menstruação humana. Também, sobre uma interpretação numerológica, o 21 seria o equivalente a 3 x 7, sendo que o três representaria a manifestação e o 7 a transformação mágica do homem, e assim o 21 seria a culminância da mudança.

Pode ser que seja considerada uma atitude romântica, mas para mim me parece útil misturar a poesia do ciclo lunar e estas reflexões numerológicas e simbólicas com a ciência dos procedimentos de mudança de comportamento. Muito já foi pesquisado sobre como nosso corpo obedece a ciclos circadianos (diários, semanais e mensais), alguns deles solares e outros lunares. Os humores dos homens e das mulheres mudam com as estações, e não é necessário acreditar em astrologia ou numerologia para perceber que há bons períodos para fazer certas coisas – seja por contexto ambiental ou social. Além do mais, estas simbologias impressionam fortemente nossas emoções, e pode ser uma  forma de nos motivar para uma mudança.

No entanto, sobre o ponto de vista da PNL, prefiro interpretar a totalidade do ciclo de mudança como de 30 dias – ou pelo menos o mínimo de 28 dias, com dois dias de margem de segurança… Este é o método que costumo chamar de “Técnica da Lua”.   Escrevi um texto a bastante tempo sobre isso, mas como modifiquei a técnica, vou postar aqui a versão atualizada dela:

TÉCNICA DA LUA

Existe um ditado antigo que, se praticarmos um novo hábito por cerca de um mês, conseguiremos implantá-lo. Ou, pelo menos, modificar o hábito antigo. Baseado neste conceito – e também na modelagem de grandes homens, que ensinaram, em suas biografias, como aprenderam a desenvolver o próprio caráter, é que este método foi elaborado. Podemos dizer que é um sincretismo entre a sabedoria popular e a experiência de pessoas de sucesso.

Também podemos usar este método para desenvolver uma nova aprendizagem ou técnica, tal como aprender a digitar com os dez dedos, dançar salsa ou merengue, dirigir, falar em público etc. Essencialmente é uma técnica de aprendizagem, mas que utiliza um procedimento mais elaborado, com o objetivo de harmonizar-se melhor com a forma como aprendemos de maneira integrada, sistêmica.

Como eu ensino este este método? Atrelando-o à fase da Lua. Não é necessário, exatamente, que você inicie este processo no dia exato da mudança da Lua. Mas, como somos seres ao mesmo tempo cognitivos e emocionais, e adoramos um mistério, pode ser útil para você seguir o ciclo exato de 28 dias da mudança da Lua. De certa maneira, você estará fazendo “mágica” (pode usar até um ritual ou cerimonial especial, se quiser).

Primeira Fase: Nova
Durante uma semana, pense sobre o novo hábito que deseja mudar. Detalhe exatamente como seria agir desta maneira e até escreva a respeito. Pratique algo do novo aprendizado, hábito ou habilidade, mas sem nenhuma expectativa de resultados, até para entender exatamente o que deseja fazer de mudanças em sua mente.

Faça as alterações que notar como necessárias, até que entenda bem o que significa para você o novo hábito. Você está escolhendo o que vai ensinar ao seu cérebro mas ele – seu inconsciente – não tem nenhum compromisso ainda de apresentar resultados espontâneamente. Sua atitude deve ser mais cognitiva, de concentradamente usar a força de vontade, para aprender a base do novo hábito ou técnica. Seja racional, analise os detalhes de como proceder e ensaie repetidas vezes, sem querer fazê-lo bem – apenas entendendo-o e familiarizando-se com ele. Quando o hábito antigo ocorrer, apenas racional e cognitivamente pratique a substituição pelo novo hábito, sem nenhuma autocrítica a respeito. Apenas pense: “ah, é assim mesmo, estou aprendendo” ou algo assim.

O primeiro ciclo seria da germinação da vontade de mudar o hábito antigo, conscientizando-se dele e de seus efeitos deletérios. Isto pode durar mais tempo, mas convenciona-se que, no mínimo, dura 7 dias para conscientizar-se completamente do seu desejo de mudança. Em um paralelo com a PNL, podemos dizer que é a fase de sair da “incompetência inconsciente”. Também poderiamos dizer que, em termos do processo dos níveis lógicos de Dilts e Bateson, estamos ainda em “Além da Identidade” – um vago processo de insatisfação nos habita, mas ainda estamos explorando como mitigá-lo.

Segunda Fase: Crescente
Durante uma semana, pratique o novo hábito de maneira mais tranquila, natural, divertida e sem forçar. Isto é, considere como algo lúdico. Em termos de atitude, é semelhante a experimentar algo de forma divertida, sem compromisso com o resultado, mas também sem se esforçar para fazer certo ou correto. Deixe que o seu inconsciente desenvolva a sua atenção e foco para este tipo de atividade. Divirta-se experimentando o comportamento ou técnica – ou pelo menos o faça dentro de uma atitude de diversão… Se o novo hábito aparecer, pense em algo agradável, tal como “OPA! Está ficando legal! Estou com vontade de fazer!”. Se o antigo hábito ocorrer, pratique pensar algo tal como “Tudo bem. Isto está mudando” e não dê muita atenção ao fato.

O segundo ciclo seria da busca da compreensão e conscientização do novo hábito, assim como surpreender-se ainda agindo com o hábito antigo, mesmo fazendo ingentes esforços para mudar para o novo hábito. Sim, também poderia durar algum tempo, mas é provável que o tempo mínimo seja de 7 dias até que consigamos iniciar o processo de criar novas trilhas sinápticas. Em PNL, é o que chamamos de “incompetência consciente”. Nos níveis lógicos, poderíamos dizer que a insatisfação com o hábito antigo já atingiu o nível de Identidade, em sua descida para o caminho da concretude. Também neste nível nos deparamos com crenças limitantes e crenças capacitantes, e buscamos ajustar nossos valores para a mudança de hábito.

Terceira Fase: Cheia

Durante uma semana, pratique o comportamento desejado e mantenha-se CONSCIENTE da VONTADE de que este hábito ou habilidade se manifeste. Se aparecer espontaneamene, deixe-o se manifestar. É permitido devanear sobre ele, é permitido imaginar-se fazendo-o, mas não se force em demasia. Em outras palavras, PEGUE-SE FAZENDO-O, mas não se preocupe em “querer” fazer. Se o novo hábito ocorrer inesperadamente, pense em algo auto-estimulante, tal como “Ih, muito bom! Gostei dessa!”. Se o antigo hábito ocorrer, ignore-o, não o rotule.

Imagine o prazer que o novo comportamento dá – isto, de certa forma, é chamado “mielinizar” o novo comportamento, o que aumenta as redes neuronais, no cérebro, que são responsáveis por desencadear um comportamento, e que se expandem através do prazer, interesse, importância e desejo, não através da dor.  Deixe o comportamento BRILHAR através de você, espontâneamente, sem muito esforço de sua parte.

O terceiro processo é o desenvolvimento e consolidação do novo hábito, tanto consciente quanto inconscientemente. Aí sim, estaríamos exercitando um hábito já definido, e sabemos exatamente como e quando devemos proceder. Na etapa anterior uma boa parte do processo de escolha do hábito foi feita, mas ainda no nível neurológico de crenças e valores. Nesta fase, a crença de que este novo hábito é melhor do que anterior já está firmemente instalado, e começamos a desenvolver estratégias e capacidades para ele, criando TOTS específicos (TOTS = procedimentos operacionais de Entrada e Saída de comportamentos). Criamos assim circuitos mentais úteis, tanto cognitivos quanto sensoriais. É a fase de “competência consciente”

Quarta Fase: Minguante
Nesta semana, esforce-se para não pensar no comportamento novo. CONFIE em seu inconsciente, aceitando que este hábito, aprendizagem etc já faz parte de sua maneira de agir e se comportar. E nem espere que este comportamento apareça espontâneamente. Mesmo se não aparecer, é sinal de que ele está se INTEGRANDO e se adaptando ao todo de seus comportamentos e padrões habituais, enquanto se ajusta à ecologia de seu ambiente mental… Mas não se preocupe em reprimir a eventual ocorrência do novo hábito ou do hábito antigo. Ignore os dois.

Esta última etapa é o da internalização do novo hábito: mais sete dias para desenvolver a “competência inconsciente”. Neste momento trabalhamos a apuração dos comportamentos, das pistas desencadeadoras dos TOTS e das âncoras sensoriais e cognitivas que nos estimulam a agir com o novo hábito. No final do processo, percebemos o alinhamento de nosso ambiente com estes comportamentos, e nossos níveis lógicos/neurológicos.

Após estes 28 dias – que na verdade são 7 dias de “incubação” inconsciente e mais 21 dias de prática  – é bastante provável que um novo “canal” de neuroassociações tenha se formado de maneira permanente. Este mês de prática transformou o aprendizado de um novo tipo de ação em algo memorável, pois foi feito de forma abrangente, possivelmente em todos os níveis sensoriais.

Diria, assim, que 28 dias perfazem o processo como um todo, mas como um limite mínimo, não um máximo, pois muitas pessoas podem tergiversar, retardar ou até desistir no meio do processo, caso não tenham procedimentos bem definidos – ou não tenham um apoio de um bom coach.

Mas como os primeiros 7 dias são ainda da construção do desejo de começar o novo hábito, não são claramente percebidos, e não são contados usualmente. Assim, para quem observa do exterior do processo de mudança, desde o momento da expressão da insatisfação e do início dos esforços para a mudança, parece que só se passaram 21 dias.

http://antonioazevedo.com.br

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(*) Veja por exemplo o estudo matemático dizendo que o “numero de Deus” provavelmente está um pouco acima de 20…

http://diario.iol.pt/noticias/cubo-magico-estudo-eua-ciencia-numero-de-deus-quebra-cabecas/844819-291.html

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Pergunta: PhotoReading e Sculpt Reading

Já faz um bom tempo recebi a seguinte pergunta: “ouvi falar de um método de aprendizagem acelerada utilizada na leitura, ou seja, a FotoLeitura. Comprei o livro do criador da técnica Paul R. Scheele. Estou Fotolendo alguns livros. No entanto ainda não tenho controle sobre as informações fotolidas, elas apenas acontecem (mesmo com a “ativação”). Visitei o amazon.com para ler as opiniões dos compradores, a maioria não parece satisfeita. Entretanto como o autor cita que leva algum tempo para ‘aprender’ a fotoler, pensei que seria interessante perguntar a alguém com mais experiência sobre o assunto. Se for possível que você dê a sua opinião sobre a técnica, ficarei imensamente grato.

Resposta
Eu já li, muito tempo atrás, o livro de fotoleitura. E não me convenceu muito a técnica, por isso não a experimentei. Só posso falar a partir de depoimentos de terceiros.

Acho que há muito poucos fotoleitores por aí, para termos um testemunho de confiança… Verifiquei no Yahoo Groups Internacional e no Nacional para saber se há um grupo de Photoread ou de fotoleitura.

O melhor dentre eles parece ser o http://www.learningstrategies.com/forum.html
. Se consegue se virar em inglês, talvez valha a pena dar uma olhadinha nele.

De qualquer maneira, é necessário uma certa prática de auto-hipnose para ficar bom em resgatar as informações absorvidas por fotoleitura. Na minha opinião o processo requer abertura profunda do inconsciente, para podermos ter acesso à memória fotográfica.

Uma boa parte do que é ensinado lá também é ensinado em cursos de Aprendizagem Acelerada – a preparação para a leitura, a leitura em vários níveis, a busca de palavras chaves… No entanto, a parte de “fotoler” específicamente falando, na maior parte das vezes ouvi relatos de frustração. Várias pessoas a experimentam e não ficam satisfeitos com os resultados. Persistem por algum tempo e depois desistem.

Então, atualmente só posso interpretar – lembre-se, a partir de relatos de terceiros, eu mesmo não experimentei – que a técnica não entrega o que promete. Talvez seja possível, em algumas situações, mas não como regra geral.

Mas sobre este assunto eu tenho outras considerações. Uma vez fiz um curso de Aprendizagem Acelerada com Maurício Aguiar, um colega meu da formação de Master Practitioner em PNL. Uma frase que ele falou ficou ecoando em minha mente: “Não leia livros. Absorva conceitos. Não mensure livros pelo número de páginas. Mensure pela fertilização de suas idéias”.

E muito tempo atrás eu li, na introdução do livro “O Meio é a Mensagem”, de Marshal MacLuhan, que os editores de livros costumam publicar um livro se este tem pelo menos 10% de informação nova entre 90% de “cozinha” de informações retiradas de outros livros. Isto significa que, em média, estamos lendo e relendo cinco a nove vezes a mesma informação, se lemos dez livros sobre o mesmo assunto…

Isso pode parecer ruim, mas tem seu lado bom. A PNL nos diz que na maior parte das vezes precisamos repisar um fato umas seis vezes para o colocarmos em nossa memória de longo prazo, de onde dificilmente será esquecido. Se lemos dez livros de um assunto, a probabilidade de estarmos realmente detentores dos dados adequados sobre o assunto é muito grande. Contudo, também significa que boa parte da leitura é desperdiçada.

E por isso sugiro a você que não se preocupe tanto em “ler rápido” e sim em “ler bem”. Eu de minha parte prefiro trabalhar, ao invés de “photoreading”, com “sculpt reading”. Ler bem pode ser até mais lento, pois é uma leitura reflexiva.

Eu leio muito – ocupo bastante do meu tempo com leitura – mas atualmente leio com o computador do lado, construindo mapas mentais e quadros sinópticos (sistemas de palavras-chaves) e fazendo anotações do que entendo e crio a partir do que leio. Assim, pode ser que até eu demore mais para ler um texto. Mas é uma leitura ativa e produtiva e não algo passivo.

Se você não sabe como fazer mapas mentais, visite o excelente site http://www.mapasmentais.com.br, do Virgílio Vilela. E estude os tutoriais. Há uma apostila ótima que pode ser baixada de graça, no site.

Leio bem mais devagar, é certo, e tenho livros não-lidos e semi-lidos em profusão, mas o que eu leio é meu, faz parte de meus conceitos de vida, está bem digerido e assimilado. Se estudarmos um livro procurando, classificando e fazendo mapas mentais de tudo o que é novo e faz sentido, o próximo poderemos ler ainda mais rápido, e cada vez mais rápido… E sem a técnica de fotoleitura.

E o principal: não precisaremos de reler todo o livro, se for necessário uma segunda vista. Nossas fichas de mapas mentais e nossa estruturação de idéias servirão como uma perfeita sinopse, facilitando que encontremos os 10% criativos que só estão naquele livro.

Suponho que esta técnica seja dez vezes mais lenta do que a fotoleitura para ler um livro pela primeira vez e cerca de três vezes mais lenta do que a leitura normal.

Mas, no entanto, para ficarmos realmente com o entendimento de um livro-texto (não me refiro a um romance, fique bem entendido) costuma ser necessário que nós o releiamos umas cinco vezes. E a fotoleitura seria mais rápido, mas quanto tempo precisamos até termos a confiança nela?

Posso estar errado, mas por enquanto prefiro ser um “sculpt reader”. Pois a leitura é um processo de “garimpagem” de idéias. E toda boa idéia exige um tempo de “ruminação”, de comparação inconsciente com outras percepções, valores e crenças que já fazem parte de nosso mundo mental.

Feito isso, vamos ao que faço. Vou descrever minha técnica com rigor. Esta técnica é adaptada dos princípios da Aprendizagem Acelerada, um curso que fiz em 1994 com Maurício Aguiar (que também publicou um livro sobre este assunto, junto com o professor Rousseau, um conhecido consultor de treinamento empresarial). Eu já usava técnicas similares antes, aprendidas em livros, mas o curso apurou meu sistema.

Começo dando uma boa olhada no livro, na orelha, na sinopse da contra-capa, no índice e leio cuidadosamente os nomes dos capítulos. Já observei que 90% dos leitores têm preguiça de fazer isso, ou o fazem descuidadamente, e começam a ler o livro para ver se este o “captura”. Isto é, ao meu ver, uma forma passiva de ler, pois o transforma em refém do livro… Se este for construido para instigá-lo emocionalmente, a gente o lê de uma assentada. Se for mais cerebral, mais frio, a gente pode até parar para ler depois e, por alguma razão, é “capturado” por outro livro.

Eu me pergunto também qual é o propósito que tenho ao ler este livro. Se é um propósito meramente informativo, se viso enriquecer uma idéia que já tenho ou se estou motivado a acrescentar uma nova compreensão de vida, um novo ponto de vista. Isto é, se estou preparado para ser confrontado, para a mudança. Pode parecer bobagem fazer isso, mas considero extremamente importante, pois nos prepara para sermos senhores do livro, não seus servos.

A partir disto eu posso começar a fazer uma leitura pró-ativa do livro. Eu é que escolho o que quero ler, em que quero me aprofundar e o que quero reter como recordação e aceitar como ponto de vista. Me permito discordar, desta maneira, dos autores, e fazer o meu próprio processo de leitura, seja na diagonal, do início para o final ou do final para o início.

Maurício Aguiar diz que devemos mudar até a forma como falamos a respeito de um livro-texto. Não devemos dizer que nós “já lemos” o livro. Devemos dizer que nós “já processamos” o livro. E que, muitas vezes, ele pode estar “em processo” por anos, enquanto “cozinhamos” vários livros ao mesmo tempo.

Começo procurando as idéias-chave. Folheio o livro em primeiro lugar, em uma espécie de “sobrevôo”. Identifico as passagens mais interessantes, leio algumas anedotas e histórias, observo os diagramas e quadros sinópticos.

Findo isto, eu começo a ler o livro, com um bloquinho ou o computador ao lado. Começo a anotar as palavras-chaves do livro e, de forma bem sintética, a minha opinião sobre algum conceito, demarcando com um colchete ou balão e encimando com a palavra “eu”. Isto para mostrar que eu tenho um ponto de vista diferente.

Antigamente eu marcava o livro com um lápis (jamais com caneta ou marca-texto, é um desrespeito com o livro). Hoje considero que esta forma é desorganizada demais, pois nos obriga a catar o livro inteiro por trechos grifados. E, quando grifamos desta maneira, não prestamos tanta atenção no que estamos pensando e, depois, o esquecemos.

Quando transcrevemos o texto de forma sintética, buscando transformar em uma ou duas palavras-chaves, o esforço neural é muito maior, e assim o conceito fica melhor marcado no cérebro.

Feito isto em uma estrutura lógica do livro – que às vezes pode ser um capítulo, às vezes pode ser uma estrutura dividida em dois ou três capítulos – eu paro, volto ao meu bloco ou arquivo texto no computador e busco criar um mapa mental daquela estrutura – mas não me preocupo em englobar todo o livro, e sim apenas a idéia que eu entendi, a que fixei, que é a minha forma de ver e compreender.

Isto é, faço um mapa mental de *minhas* idéias sobre o livro, não do livro. Não vou descrever detalhes de como fazer um mapa mental. Veja no site do Virgílio.

Completada esta etapa, das duas uma: se eu *sinto* que minha opinião parece bem diferente do livro, releio os capítulos para identificar os pontos de discordância e verificar qualquer falha de compreensão minha. Mas, na maioria das vezes, eu prefiro seguir adiante, pois, talvez, em uma parte posterior, o autor poderá se repetir de outra maneira e assim enriquecer a sua idéia. Mas aí eu já terei uma forma de pensar, pela qual avaliar o que li.

Detalhe: não faço quadros sinópticos e mapas mentais de todo e qualquer detalhezinho do livro. E não recomendo fazer os mapas mentais detalhados, enquanto se lê. Ao contrário, prefiro e recomendo que se leia o livro de uma forma global, definindo em forma de rascunho rápido mapas mentais e quadros sinópticos apenas daquilo que é interessante ou se discorda, e portanto se deseja esclarecer as idéias, através de um mapa mental.

No final, o livro “processado”, posso (ou não) parar e fazer um mapa mental do livro todo. Contudo, nem todo livro é recomendável ou possível de se fazer isso, pois os livros não são tão bem estruturados assim. É melhor fazer mapas mentais apenas das partes interessantes, mantendo uma ligação fraca entre os mapas, pela referência de assunto. O tempo perdido em confeccionar o mapa mental completo e perfeito é desgastante demais. No geral, não paro para fazer o mapa mental do livro integral, me contento em mapear idéias coesas.

Isto é, prefiro ler com cuidado, refletindo bem no que estou lendo, fazendo mapas mentais e tecendo elucubrações sobre o que leio… Paro toda hora e converso mentalmente comigo, fazendo diagramas em um papel à parte sobre minhas idéias, descobrindo se eu concordo ou não, se entendo ou não o que está proposto no livro. Me imagino (visualizo) explicando isso para alguém. Ficaria com dúvidas? Verifico. Só vou adiante quando estou satisfeito com as minhas idéias próprias sobre o livro, não sobre as idéias do livro. Se estou cansado, paro, pego outro livro, não me preocupo em ler de fio a pavio.

Se é um livro de ficção, puro lazer, óbviamente não sigo estes passos de forma tão rigorosa. Em alguns livros este processo todo pode demorar três, quatro dias. Em outros pode demorar meses. Ou anos. E daí? Isso não importa. Não vivo de citar livros, e sim de manifestar idéias, em minha vida e em minha interação com meus parentes, amigos, conhecidos e clientes. Algumas destas leituras frutificam em artigos, outras em idéias próprias. Não é isso o que se quer? O pensar é a consequência da leitura, não o acúmulo desta.

Agora, um adendo: se uma pessoa está estudando para um concurso, ou vestibular, ela quer enfocar mais a memória. Talvez ela precise fazer mapas mentais mais detalhados e coesos. Mas é um caso específico. E, mesmo assim, os concursos e vestibulares hoje em dia estão privilegiando mais a compreensão e as idéias próprias do estudante, não tanto o “decoreba” puro.

Esperar aprender rápido é uma distorção dos tempos modernos – todos preferem livros condensados, extratos etc. Então, porque a maioria das pessoas não conseguem aprender uma nova língua apenas lendo dicionários? É necessária uma exposição gradual a idéias, para que formemos nossos pontos de vista. E quem quer ler rápido também absorve sem análise crítica o que está sendo lido – pode acabar acreditando em qualquer coisa.

Experimente uma vez pesquisar na revista Seleções se existe um livro condensado que você queira ler. Mas não leia ainda o texto condensado. Leia o livro original e depois leia o condensado. E faça uma comparação do que sente, a partir dos dois. Faça a experiência ao contrário, também: ler o condensado primeiro e depois o em formato normal. Se a qualidade do texto for boa e o autor não for daqueles que “enche linguiça”, perceberá que, mesmo por melhor que seja a condensação, perderá muito do impacto emocional do texto completo.

E hoje em dia o jovem prefere ver um filme ou um documentário, ao invés de ler um livro. Não nego o poder das imagens, e a beleza de um bom filme ou documentário, e retiro muitas idéias criativas do que vejo neles. Recomendo, especialmente, os documentários sobre o mundo natural, no estilo do National Geographic. Aprende-se muita coisa interessante sobre o comportamento, que podemos tirar ilações para o mundo dos homens… No entanto, as idéias em um filme já estão prontas, e direcionadas. É bem mais difícil sair da trilha das idéias apresentadas na forma de imagens, e gerar idéias novas. E, afinal, nós queremos apenas aprender as idéias dos outros ou aprender a gerar nossas próprias idéias?

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