Archive for the 'Tomada de Decisão' Category
Deixei de lado uma Meta, e agora?
Conversando em uma famosa sala online de PNL, vi um comentário a respeito da dificuldade em manter o foco em Metas por muito tempo. A queixa é quando se tem várias metas, como era difícil se manter em contato com cada uma delas, sem deixar de lado cada uma.
Este assunto me fez refletir, e pensar em responder aqui, em um espaço mais amplo:
Um famoso coach americano uma vez disse que é bom tomar decisões rapidamente, mesmo que não tenhamos a certeza de que são as melhores possíveis. Isso porque provavelmente estarão um pouco erradas, e por isso, quando tomamos as decisões bem rápido, mais rapidamente ainda descobriremos os seus erros, e também rápido poderemos corrigí-los, obtendo maior sabedoria. Read more
1 commentComo usar a PNL para tomar boas decisões
Utilizando a Programação Neurolingüística podemos aprender a discernir os vários fatores que influenciam uma boa tomada de decisão. Observando as estratégias das pessoas que obtém uma boa margem de acerto em sua tomada de decisões, é possível delinearmos uma fórmula útil que possa servir de “tratamento genérico” para a resolução de problemas.
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Sucesso Pessoal em um Mundo em Mudança
Evento com Antonio Azevedo em Copacabana, no Rio de Janeiro
Mini-Workshop de um dia em Setembro 2009
Domingo, 9 às 17 horas
Horário: evento com 7 horas de duração (1 hora de almoço)
Entre na página de Destaques e mande um e-mail para fazer uma pré-inscrição neste evento.
Antonio Azevedo é palestrante profissional, consultor e coach, com formação em Practitioner, Master Practitioner e Trainer em PNL – Programação Neurolinguística – e em Hipnose desde 1990. É um dos organizadores das mais importantes listas de discussão online de PNL e de Coaching.
Instrutor e profissional de Recursos Humanos, participou de vários cursos e seminários internacionais, com Jefrey Zeig, Steve Andreas, Joseph O’Connor, Ernest Rossi e outros nomes da PNL e da Hipnose Ericksoniana.
Facilitador de qualidade & produtividade e especialista em gerenciamento de metas e planejamento de vida. Atuou em palestras e workshops para TVE, TELEMAR, Laboratórios Roche, Targetpoint, Sescoop, Tecnocoop, AulaVox, IBOL e outros.
No commentsA torre
Podemos usar a visualização para objetivos metafísicos ou energia mística para o sucesso material? Como eu escrevo volta e meia sobre o uso da visualização, e este termo é bastante empregado na àrea espiritualista, sempre me perguntam se eu recomendo as chamadas “visualizações energéticas” ou visualizações para “atrair as coisas”, de forma mágica.
A melhor maneira de esclarecer o meu ponto de vista é contando uma pequena história.
A muito tempo atrás, uma bela (e inteligente) princesa foi aprisionada em uma alta torre sem portas por uma bruxa malvada. Esta torre só tinha uma pequena janelinha, lá do alto – a bruxa podia entrar e sair com sua vassoura, mas a princesa estava presa – a não ser se quisesse pular e se esborrachar lá embaixo….
Mas ela amava um príncipe – tudo bem, ele era bonito mas não muito inteligente… E este principe a procurou, procurou, até chegar à torre. Quedando-se lá embaixo, sem saber como fazer, e como subir para salvar sua amada, o principe estava quase se desesperando.
Mas a princesa, do alto da torre, o chamou: – Meu principe, traga-me amanhã as seguintes coisas: um carretel de linha de seda para costura, um novelo de barbante, uma corda forte de tenda, uma corda forte de amarrar barco, um favo de mel e um besouro.
O principe achou que a sua doce princesa tinha enlouquecido, por ter ficado tanto tempo presa nesta torre. Mas, como tinha se acostumado a obedecer sem pensar (ele não era muito inteligente mas sabia disto, o que é uma forma de sabedoria, ao menos) decidu trazer tudo o que a princesa pediu.
No dia seguinte, cedinho, verificando primeiro que a bruxa não estava pelas imediações, o principe chamou a princesa, que apareceu na janelinha bem lá no alto.
- Trouxe tudo o que pedi? – Disse a princesa.
- Sim, está tudo aqui. Mas para que serve isso?
- Faça o seguinte – explicou a princesa. – Pegue o besouro, amarre em sua cauda o fino fio de linha de costura, e unte suas antenas com um pouco do mel. Depois, coloque-o na parede, bem embaixo da janela, voltado para cima.
O principe assim o fez. O besouro, sentindo o cheiro do mel, foi subindo, subindo, cada vez mais, alongando atrás de si o frágil e leve fio de linha. E foi subindo cada vez mais, galgando com suas patinhas a parede, até alcançar a janelinha da princesa.
Mais do que depressa a princesa segurou o pequeno besouro, delicadamente o desamarrou da linha de seda e o soltou em um local agradável na beirada da janela, onde pudesse mordiscar um pouco do saboroso musgo.
Segurando firme o fio de seda, a princesa pediu: – Agora, amarre na ponta deste fio de seda a linha do barbante.
O principe assim o fez. Com cuidado, a princesa puxou e puxou, e o delicado fio de seda foi trazendo o barbante até acima, até sua janela.
Segurando o barbante, a princesa pediu agora: – Amarre no barbante agora a corda de tenda.
Feito isso, a princesa puxou e puxou, até ter em mãos a ponta da corda de tenda. E repetiu tudo de novo, até que conseguisse segurar firmemente a corda forte de atracar barcos.
A princesa amarrou esta corda em uma das pilastras de sua prisão aérea e desceu por esta escada de corda para a liberdade, para os braços de seu pouco inteligente mas fiel amado…
E assim fugiram, e a bruxa nunca mais os viu.
Visualizou esta história? O que representa para vocé os objetos da fuga da princesa? Pense um pouco e volte a ler abaixo.
• o besouro representa o foco da atenção e da vontade humana, que persiste, incansável, em direção ao seu objetivo. Pode ser fraca em si mesma, mas com o tempo e paciência, alcança o seu objetivo (a janela no alto da torre).
• o mel é uma imagem do objetivo, estimulante e representativa do que vai se obter no final, e que estimula a vontade a permancer em ação.
• o fio de seda é o pensamento, a sutil energia intangível de nossa mente – em si mesma não tem força para fazer os objetivos se realizarem, mas é o fio inicial e, por isto, mais importante, que faz a conexão entre a vontade e o objetivo.
• o novelo de barbante são as palavras. Elas apoiam e são suportadas pelos pensamentos. Confere mais segurança e força ao caminho em direção ao objetivo mas não são suficientemente fortes para fazer as coisas acontecerem por si sós. Muitas pessoas falam de um projeto ainda não terminado como “amarrado com barbante”, isto é, cheio de palavras vazias e pouca ação…
• a corda de tenda: tal como na montagem de uma tenda, esta corda dá resisténcia e permite que as coisas comecem a se construir no mundo material. A corda de tenda representa nossos comportamentos exteriores, nossas ações. A corda faz com que o que planejamos na dimensão interna de nossa mente comece a produzir resultados exteriores.
• a corda de barco: o barco representa o caminho definitivo: soltar as amarras do porto e se aventurar seguindo a própria rota. A corda de barco representa o que nos liga aos nossos relacionamentos e imagem pública, o que conseguimos e realizamos, história pessoal e planejamento de vida, para o futuro. É o que nos dá solidez e que permite que os objetivos se transformem em realidade, que o sonho se transforme em uma visão de futuro real, e que a Idéia se transforme em Meta…
Não parece suficiente, para trabalhar de forma objetiva, apenas atuar no nível dos pensamentos e palavras. Pensamentos e palavras são poderosos, mas ainda frágeis como fios de seda e barbante. Precisam servir de fio condutor, e depois complementados com ações e planejamento sólido.
Esta história representa o fato de que, para entender bem o fenômeno do uso de imagens mentais, é importante aceitar que estaremos iniciando um efeito dominó: um nível de energia sutil afeta outro mais denso, que afeta outro e outro cada vez mais objetivo e material, até que se concretize o objetivo. Emoções afetam pensamentos, que afetam palavras, que afetam atitudes e comportamentos, e estes são traduzidos em consequências exteriores.
Tudo depende de quais objetivos se deseja realizar. Exercícios de cunho mais metafísico são úteis para objetivos metafísicos. Se alguém está buscando experiências culminantes (peak experiences) tais como Consciéncia Cósmica ou efeitos parapsicológicos, podem ser excelentes. No entanto, para resultados materialísticos, como prosperidade ou sucesso no trabalho, em si não são suficientes.
Por isso, quando se fala em visualização e energia, respondo diretamente que práticas espirituais podem ser muito boas, e já me beneficiaram imensamente. No entanto, não os considero como uma forma eficiente de acelerar a realização de objetivos exteriores, e sim uma forma de reforçar estados mentais e atitudes, conferindo mais energia de VONTADE e DETERMINAÇÂO.
1 commentO que é Synectics?
syn-ec·tics \ si-’nek-tiks \ Cooperação de grupos multidisciplinares para resolução estruturada de um problema.
Synectics é uma ferramenta de resolução de problemas baseada na cooperação de um grupo de especialistas – de experiência e conhecimento diferenciados – para resolver de forma estruturada um problema de um cliente.Uma metodologia desenvolvida desde 1960, seu início deve-se aos esforços de desenvolver ferramentas de Solução de Problemas eficazes para os sofisticados desafios tecnológicos do século vinte.
Criar idéias novas é vital para a competitividade das empresas modernas, ainda mais hoje, onde a informação é a principal moeda de troca. Várias empresas são apresentadas a metodologias sofisticadas ou a “ovos de Colombo”, tais como o Pensamento Lateral (Bono), Estratégia Disney, Brainstorming, CPS, SWOT. Tais técnicas buscam principalmente gerar idéias, descurando do fato de que a sua implementação é consequência do comprometimento que as idéias tem na equipe.
Uma visão mais criteriosa da adaptação das ideías à realidade é importante, para que efetivamente se encontre a diferença entre os métodos usuais e a abordagem usada nos Seminários e Workshops de Criatividade e Inovação de Synectics.
Synectics engloba diversos ferramentais das técnicas de Tomada de Decisão, Criatividade e Solução de Problemas. É baseado no conceito de que todos somos capazes de gerar idéias novas, e todos dispõem de visões diferenciadas e potencialmente úteis, se formos capazes de integrar as várias percepções. E precisamos urgentemente gerar idéias novas, além de avaliá-las de maneira consistente, para que os grupos de trabalho se tornem eficientes e competitivos.
Apesar disto parecer óbvio, a maioria dos métodos usados para executar estas tarefas ainda é aplicado nas organizações de forma ingênua, quase mágica, na vã esperança de que um elemento sozinho possa arrostar todo o sistema. O ambiente de grupo é normalmente estéril à germinação de idéias novas, na maior parte das culturas organizacionais. Ou, às vezes, permite a germinação, mas não o enraizamento das novas idéias…
Para superar isso a Synectics privilegia o comportamento de grupo e a boa comunicação dentro dele. Técnicas especiais para reconhecimento dos papéis do grupo são aplicadas e reconhece-se a importância de separar as funções dos elementos do grupo de suas personalidades individuais.
Depois os participantes são treinados em variadas técnicas de análise de informações e tomada de decisão. Mostrando os prós e os contras de cada uma, é demonstrado que a maioria das abordagens para tomar decisões deve levar em conta também o lado emocional dos participantes e a personalidade da organização.Por último são praticadas várias técnicas de Criatividade e Análise de Soluções. O processo, estruturado como um todo, é conhecido como Synectics.
No commentsDecisões, Intervenção Paradoxal e o Jogo do Acaso
Uma abordagem de Jogo para auxiliar pessoas empacadas na hora de tomar decisões.
A questão é a seguinte: há certos tipos de pessoas que sofrem e se angustiam imensamente na hora de tomar decisões. Possuem vários lados internos que se digladiam constantemente, um tentando sabotar o outro na hora de tomar uma decisão qualquer. Em sua mente, ficam experimentando as várias perspectivas e caminhos possíveis, tornando-se indivíduos hesitantes.
Estas pessoas assumem uma posição que pode ser até coerente em um certo momento mas, no seguinte, pressionados pelas outras “vozes” internas, acabam recuando antes que a primeira decisão comece a dar os seus frutos. Várias tendências se digladiam, e elas se sentem estacionadas em uma bifurcação, sem saber qual estrada é a melhor.
Mesmo que não se considere casos extremos como esse, algo parecido pode ocorrer com qualquer um de nós, em algumas determinadas decisões. Na realidade sempre estamos tomando decisões, e não tomar nenhuma decisão é também uma decisão. Em muitos casos não é possível obter informação suficiente para alimentar a parte racional – o hemisfério esquerdo do cérebro, para ter a certeza absoluta de que nossas decisões estão corretas. E, também, nem sempre dispomos de feelings claros, definidos, que nos permitam sopesar as tendências emocionais – o lado direito do cérebro, para julgar as melhores opções disponíveis.
Dizem que o que diferencia um executivo, um estadista ou um general, isto é, alguém que pode ser um líder, da média das outras pessoas, é que aquelas não tem medo de tomar decisões. Sabem dos riscos envolvidos, reconhecem que podem perder e avaliam cuidadosamente os prós e contras envolvidos. Mas, na hora H, usando o máximo de informações possíveis, e mesmo que estas não sejam suficientes, continuam indo em frente, buscando fazer o melhor.
Em PNL (Programação Neurolingüística) usam-se técnicas para fazer com que as pessoas “negociem” com suas partes internas, e as “integrem”, facilitando tomar e manter decisões. Experimenta-se uma mudança da estratégia, por exemplo, fazendo as pessoas experimentarem vários caminhos “internamente”, em suas imaginação, para que avaliem quais os melhores possíveis.
Com estas experiências imaginárias, fica mais fácil com que tomem uma decisão, porque tem uma certa “experiência prévia” do que pode acontecer em cada alternativa, seja negativo ou positivo.
No entanto, algumas vezes, estas técnicas esbarram em crenças internas arraigadas, de que tudo o que deve ser decidido deve ser experimentado com muito cuidado e todas as opções devem ser bem consideradas… E estas crenças internas acabam dificultando ou impedindo o sucesso da intervenção em PNL.
Quem estudou hipnose já experimentou, algumas vezes, utilizar técnicas de mudança de ponto de vista que podemos chamar, no mínimo, de insólitas, para superar estes momentos de estagnação.
Sabe da importância de causar um “impacto” na mente, para que se possa ultrapassar a barreira consciente da parte cortical do cérebro e alcançar o sistema límbico, as emoções em estado bruto. Pode até não parecer lógico agir de certas maneiras, e a sugestão é optar por uma coisa louca de se fazer. E quando a mente se confronta com um novo absurdo, ela pode perceber o absurdo das opiniões que estava usando no dia a dia.
Isto é conhecido pelo nome de intervenção paradoxal. Este termo é muito usado em hipnose, em terapia estratégica e terapia sistêmica, no uso com famílias com problemas. Milton Erickson, o grande hipnoterapeuta que serviu de estímulo para a criação da PNL, usava muito este tipo de técnica.
A intervenção paradoxal utiliza uma forma indireta de “passar por cima” destas questões de crenças, fazendo uma decisão se passar por uma outra coisa qualquer, através de símbolos ou comportamentos similares, mas aplicados em contextos diferentes. Isto modifica a percepção da pessoa acerca do problema e tem um impacto forte, da mesma forma como as metáforas costumam impactar, no âmbito linguístico. E facilita que uma decisão possa ser experimentada em toda a sua integralidade, seja porque é vista de forma metafórica, ou porque é experimentada por um prazo específico, tal como se fosse um “contrato por tempo determinado” ou porque o simples fato de “fazer alguma coisa” tira a pessoa do imobilismo.
Mas, para fazer isso, um comprometimento mais emocional se torna necessário. E isso se consegue encarando uma decisão como um tipo de jogo, um jogo fácil e emocionante. A tomada de decisão se transforma em um prazer e ao mesmo tempo permite que o indivíduo possa escutar todas as opiniões de seus lados internos, sem travamentos de auto-crítica.
E como é feito na prática? Uma das sugestões que costumo usar é a baseada em tarefas. Posso fazer com que a pessoa experimente colocar em um papel, cuidadosamente, todas as opções possíveis de que dispõe, efetivamente, coragem de experimentar, para resolver uma determinada situação.
Colocando no papel o que realmente acredita está, na prática, listando todas as opiniões de seus lados internos. E peço que especifique em termos sucintos o que fará, caso escolha cada um dos determinados caminhos. Isto é, escreva um contrato interno consigo mesma.
Neste momento vem o ponto principal, que diferencia esta tarefa da simples análise de uma lista de alternativas: ao invés de escolher uma ou outra destas opções listadas, o que causa hesitação e angústia em alguns, em um perpétuo buscar de novas informações, peço que coloquem as opções em uma moeda ou um dado. Se forem muitas opções, que restrinja as opções em duas ou em seis, descartando as menos importantes – o que já é um exercício de tomada de decisão…
Esta tática diversiva transforma um sério compromisso consigo mesmo em um jogo: estipular um prazo determinado de tempo (normalmente 24 horas ou uma semana) e, durante este prazo, seguir rigorosamente aquela determinada decisão. E não importa o que aconteça, que se mantenha esta posição por aquele período de tempo. O esforço de tomar uma decisão é redirecionado para cumprir um tempo determinado e não em avaliar o próprio conteúdo da decisão tomada…
O que acontece, normalmente, é que a pessoa faz um esforço incrível de manter a decisão que o “acaso” escolheu. E este acaso na verdade não é acaso, pois ela selecionou cuidadosamente o que pretendia colocar como opções, e provavelmente as opções são exatamente aquelas que não dispõe de informações adicionais suficientes para saber qual delas é a melhor. E sabemos que a melhor forma de avaliar uma alternativa é experimentando uma ou outra, por um período de tempo…
Sabendo-se comprometido por um período de tempo, torna-se um desafio para o amor próprio não quebrar o compromisso de manter a decisão por aquele prazo. O ideal é que seja um período de tempo pequeno, para criar uma sensação de referência positiva na própria percepção da capacidade de tomar e seguir as próprias decisões. Usar esta técnica em períodos maiores do que uma semana é arriscado, pois o impacto do “jogo” já está diluido.
Durante o período do “jogo” a auto-estima da pessoa está fortalecida – “viu, eu sou capaz de manter uma decisão!” – e também pode aprender muito com as conseqüências de cada decisão tomada. E assim aprender a reduzir o seu medo do futuro – sim, porque uma tendência ao catastrofismo, um medo mórbido das consequências dos próprios atos, contribui para este comportamento, fazendo a pessoa se focalizar em todas as consequências desastrosas e irremediáveis que podem ocorrer, em cada pequena decisão que toma.
Aqueles que protelam decisões e adiam tarefas porque ficam devaneando na procura da solução ideal podem se beneficiar deste “jogo”, que é na verdade uma tarefa paradoxal: tome a decisão de deixar a decisão ao acaso. Como o período é curto, a busca de comparar incessantemente os fatores positivos e negativos é minorada.
E, se não estiver satisfeito com o resultado naquele período de tempo, pode desistir de uma decisão sem culpa ou desvalorização da imagem – “afinal, não fui eu que decidi isso, foi este método maluco! ” – e, aos poucos, vai treinando a sua capacidade de tomar decisões, até que, com quase certeza, abandone este tipo de prática porque já absorveu a atitude necessária para se comprometer em uma decisão por conta própria.
Esta técnica, apesar de parecer uma simples e rápida dinâmica de jogos, e poder ser usada como uma intervenção paradoxal, possui correntes de admiradores e de detratores. Alguns consideram que praticar este tipo de coisa vai fazer com que as pessas abdiquem do seu livre arbítrio e se entreguem totalmente ao acaso. Outros consideram, da mesma forma que encaro, que é uma saudável forma de “brincar de romper barreiras” e dificilmente há risco de abusos, desde que a pessoa esteja bem assistida em seu trabalho e seja utilizado para o fim que se destina: auxiliar pessoas que possuem ou estejam com excessivo medo de se arriscar e de tomar decisões em área ou momento de vida.
Na década de 70 este procedimento foi transformado em um interessante romance intitulado “O Homem dos Dados”, do professor de psicologia George Cockcroft / Luke Rhinehart. Neste livro esta técnica foi descrita como se transformando em um verdadeiro estilo de vida, transformando e destruindo em cadeia a vida de milhares de pessoas… O livro fez tanto sucesso que teve uma continuação, coisa rara na época.
Outras pessoas chamam este exercício de “Síndrome do Duas-Caras”, um inimigo do Batman das histórias em quadrinhos, que sempre jogava uma moeda para cima para escolher entre fazer o Bem ou o Mal… E também dizem que este exercício é uma “brincadeira de roleta russa emocional” e pode estimular pessoas a se arriscar demais na vida, vivendo um RPG (Role Playing Game – Jogo de Desempenho de Papéis) ao invés de uma vida real.
A questão é que este exercício não é para ser usado como substituição ao bom senso e ao livre-arbítrio das pessoas. Ele não é para abdicarmos de nossa habilidade de escolher, na vida, aquilo que é o melhor para nós. É para ser utilizado nos momentos em que toda a análise lógica e emocional já foi utilizada ao máximo e mesmo assim nos encontramos em um impasse. E aí, neste momento, vale apelar para o lado intuitivo da vida. Nem que seja sacudindo aleatóriamente todas as melhores opções disponíveis…
Na realidade muita gente já faz isso, de certa maneira, só que de forma menos ostensiva e, vamos dizer assim, “religiosa”. Em momentos de conflito, em que não conseguem se decidir, seja lógica ou emocionalmente, utilizam presságios e indicações ilógicas, ou jogam cartas, I Ching ou Tarot, buscando de alguma maneira apelar para a intuição.
O que estou sugerindo, nesta técnica, é gerenciar melhor as alternativas alinhavadas nestes presságios, para ter a certeza que estarão listadas as melhores disponíveis. Desta maneira se supera bloqueios emocionais, cegueiras racionais e, também, se dá uma “ajudinha” ao imponderável…
Esta é a técnica. Eu já a experimentei e não a achei viciante como dizem. E considero útil, quando se sofre da paralisia da decisão. Ensinei-a a outros, que experimentaram e gostaram. Na prática é pouco provável que aconteçam abusos, conforme o livro descreve. Mas cada um deve julgar por si. E se alguém a utilizar, se puder me envie o seu relato sobre a técnica. E se concordam ou discordam se há mais benefícios do que riscos nesta prática.
Antonio Azevedo
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