Archive for July, 2008

PNL pode ajudar a dirigir bem?

Uma pessoa que trabalha em um Centro de Formação de Condutores (C.F.C.) me perguntou certa vez se a PNL pode ser útil para as pessoas que tem dificuldade em dirigir bem. E também para àquelas que se sentem ansiosas e tem um baixo desempenho tanto no exame de direção quanto no aprendizado da legislação de trânsito.

Respondi conforme abaixo. Achei que a resposta ficou boa e assim transplantei-a para este artigo, pois pode servir para alguém mais.

Em um dos livros do casal Andreas tem uma técnica muito boa para estabelecer um bom estado na hora de dirigir. Aliás, a técnica é boa também para superar vários tipos de fobias, inclusive de avião.

Consiste em compreender que a pessoa está conectada ao carro.

Sabemos que os bons motoristas viram um certo tipo de “centauros mecânicos”. Isto é, eles não dizem “cuidado para não bater na traseira do carro”, dizem “cuidado para não bater na minha traseira”. Também não dizem “o carro está muito perto do muro”, dizem “estou muito perto do muro” e assim por diante.

Isto não é apenas uma metonímia – a parte pelo todo. É uma espécie de identificação cinestésia, um englobamento sensorial do carro e seu espaço físico no que é chamado “espaço pessoal”. Pessoas assim aprendem a fazer baliza bem, a estacionar de primeira, a perceber a hora certa e a velocidade certa para fazer as mudanças no trânsito, e assim por diante.

É similar ao que acontece com aquelas pessoas que aprendem uma lingua estrangeira e começam a pensar naquela língua. Elas não “traduzem mentalmente” os comandos do carro para comandos motores nos braços e pernas; elas os fazem diretamente.

Obter este estado começa no nível de Identidade. Precisamos fazer uma pessoa acreditar que pode ser “una com o carro” e sentir prazer nisso. Ela deve acreditar que isso é possível e, depois, que isso é possível para ela. Depois, torna-se mais fácil que ela “mielinize” as conexões sinápticas necessárias para juntar a parte do cérebro que decide, no córtex cerebral, com os neurônios responsáveis pelo controle motor dos braços e pernas que se especializaram nos movimentos de comando do carro.

Como fazer isso? Uma das melhores formas é com visualização. Ela deve se imaginar ligada ao carro. Como se o carro fosse uma extensão dela, uma segunda pele. Deve falar desta maneira, divertir-se com isso, criar um estado positivo de satisfação com o carro. Se já tem algumas experiências negativas com carro, deve começar de forma regressiva: dê a ela um carrinho de brinquedo e faça-a brincar em estradas de brinquedo. Que ela faça barulhinhos de “vrum… vruuuummmm…” e brinque à vontade, enquanto fale com ela que está resgatando o prazer de dirigir.

Depois, leve-a a brincar com um videogame de corrida. Não um “Grand Thief Auto” e nem um “Carmagedon” e sim um joguinho simples de corrida, divertido e leve. Converse com ela, enquanto joga, que está percebendo como é fácil sentir e pensar em tudo ao mesmo tempo.

Se o C.F.C tem aqueles aparelhos que é um conjunto de volante, painel e pedal, faça-a sentar lá, ensaiar os movimentos, enquanto imagine as operações, o movimento no corpo etc. Também aconselhe-a a brincar naqueles carrinhos de parque de diversões, de bate-bate, para perder o excessivo medo de encostar o carro nos outros.

Depois disso, ela está pronta para “assumir” o carro. Explique que é uma fusão, e por isso que é tão divertido dirigir para as pessoas que conseguem fazer isso. O vento no rosto, a sensação de movimento, tudo estimula o cérebro. Diga a ela que a mente pode se expandir até tomar conta de todo o carro. Que ela pode se concentrar totalmente em onde ir, que o inconsciente tomará conta da parte mecânica para ela.

Quando ela gostar da sensação, ficará mais fácil persuadí-la da importância da legislação. Não acenando com os perigos e as punições, mas para que sinta orgulho de saber dirigir bem. Só ensine pelo estímulo positivo, não pelo temor.

Além disso tudo há pessoas que tem fobia a exames. Foram ensinadas desde pequenas que não se saem bem nisso. Pode-se trabalhar com PNL para isso, mas para simplificar, sugiro ressignificar as palavras. Não use a palavra “exame”, “teste”, “prova”. Estas estão ancoradas negativamente na mente de muitas dessas pessoas. Diga que não são exames, e sim “jogos de saber”.  Diga  que são divertidos e simples, repita isso várias vezes com coerência e rapport. Não imagina o poder sugestivo que tem uma poderosa coerência em uma pessoa que está nesta posição. Elas até podem, com uma partezinha do cérebro, continuarem sabendo que aquilo é um exame; mas uma boa parte da mente ecoará que é apenas um “jogo de saber”, algo legal e diferente.

Comments

Duração da mudança em transe hipnótico

Uma pergunta que me fizeram recentemente:
Estive lendo sobre hipnose em um site que dizia que uma sugestão de hipnose não dura muito tempo: cerca de 2 horas a 2 semanas e depois vai progressivamente enfraquecendo. Como é possivel fazer uma pessoa nao esquecer da sugestão para o resto da vida, em poucas sessões?

Minha resposta:
Esta questão sobre a “durabilidade” de uma sugestão é muito discutida. Se entendermos direito o que significa a mente, não faremos paralelos com efeitos físicos. A hipnose não é similar a um efeito de remédio, que tem uma certa duração no organismo.

Pensamentos estão em constante transformação. A mente é fluida. Um pensamento tornado dominante em um dado momento logrou êxito sim em influenciar a mente, mas ele não é algo “sólido”. É uma condição adjetiva, não subjetiva da mente.

Mesmo uma sugestão feita em transe profundo deve ser acolhida pela mente do sujeito, e este, com suas próprias reflexões, mudará sutilmente a sua identidade pessoal para acomodar as novas crenças sobre si mesmo. A hipnose tem um efeito catalizador, é uma semente de pensamentos, mas não é uma nova mente no indivíduo.

A questão principal é que uma sugestão deve ser praticada, até que se torne habitual. Com o tempo o praticante se convencerá que a nova maneira de ser que escolheu – durante o transe – é a sua maneira de ser natural e espontânea para ele.

Acontece que o indivíduo possui ainda várias referências sobre seus comportamentos do passado. E, pior ainda, existem expectativas dos outros sobre ele – mesmo que negativas, os familiares e amigos reconhecem-no pelas suas limitações e defeitos, e estranham um pouco quando ele se revela diferente.  A maioria das pessoas não sabe aceitar e nem acreditar quando uma pessoa tem mudanças positivas e a primeira reação normalmente é de dúvida e de teste “para ver se não é fingimento”. E, mesmo sem perceber o dano que isto faz, pressionam para que o sujeito que passou pela hipnose manifeste a maneira como habitualmente é.

Ora, esta pressão geral é um pouco de hipnose também, não é? A expectativa de todos ao redor, por exemplo, diz que alguém é um fumante inveterado. Ele chega em casa, todo feliz, dizendo que parou de fumar “após uma ótima sessão de hipnose”. Riem da cara dele, dizendo que é um crédulo, que foi enganado, que não existe isso… Há muita chance dele hesitar. E, de certa maneira, fica “investigando o seu inconsciente”, para checar se ainda existe alguma vontade de fumar…

Com certeza há. Nossa mente não é rasurada, como uma folha em branco. A hipnose pode realçar características, mas não é uma lobotomia no cérebro. E se a pessoa insistir muito, detectará indícios do comportamento antigo. Esta percepção “lhe provará” que a mudança não foi total, e a sensação de dúvida e de decepção pode fazer com que retorne ao comportamento antigo.

Lembrem-se, a hipnose não aperta botões no cérebro. Nosso humor, nossos pensamentos e até o que achamos que é o nosso próprio Eu são coisas mutáveis, inconstantes. A hipnose reforça e redireciona a mente. Mas é obrigação de cada um colaborar com os novos padrões aprendidos. Ninguém é totalmente passivo, mesmo que entre em hipnose profunda. Deve colaborar com a mudança, não lutar contra ela.

Assim, não é que uma sugestão tenha durabilidade de poucas horas ou semanas. Apenas é que nossa mente é mutável mesmo, e uma sugestão deve ser aceita e repetida pelo indivíduo, até que possa ser replicada naturalmente, pela sua própria mente. Com o tempo a hipnose, mesmo feita por outra pessoa, torna-se propriedade do próprio hipnotizado. Ele assume a nova identidade pessoal, e SABE que é diferente agora. Ele utilizou os padrões aprendidos durante o transe e os repete, recria, dia a dia, de forma cada vez mais fácil e natural. Ele agora É a pessoa que escolheu ser.

Uma pessoa pode modificar o seu comportamento, melhorando comportamentos depressivos para reações de dinamismo e auto-confiança; pode superar a timidez, ansiedades e fobias, pode até superar traumas e estresses intensos, com a ajuda da hipnose. Pode fazer muitas coisas. No entanto este trabalho não é uma operação passiva. Ele pode e deve cooperar, usando os pensamentos, sentimentos e emoções despertados pela hipnose para recriar os seus próprios pensamentos do dia a dia, da mesma maneira como podemos fazer uma nova coalhada a partir de uma “semente”, utilizando um pouquinho de coalhada em uma tigela de leite fresco e deixando maturar…

Comments (1)

Podemos usar a Visualização Criativa e as técnicas da Lei da Atração para ganhar na Mega-Sena?

Não adianta pensar em usar “a técnica do Segredo” sem conhecer a essência filosófica do que significa viver de acordo com a Harmonia com as Leis Mentais. E querer se concentrar em ganhar jogos de azar – o próprio nome já diz – é um convite para a frustração.

Não é só visualizar e confiar. Não é só acreditar que é possível e sentir-se bem, recebendo. È necessário saber-se exatamente o que se quer. Refletir e descobrir como manifestar a sua essência e expressá-la criativamente, em sua vida. Expressar a si mesmo e transformar a sua vida em um modo do Universo se tornar um lugar melhor. Este é o objetivo de se harmonizar com as Leis Naturais. Não se faz isso lutando contra estas leis.

Na maior parte das vezes, quando a pessoa pensa em ganhar um jogo, pensa em ter muito dinheiro. Mas, o que está por trás deste desejo? O que a pessoa quer mesmo é ter conforto e segurança financeira, correto?

Há milhares, infinitas maneiras de se ter isso. Ganhar no jogo é uma delas, e não vou dizer de antemão se isto é correto ou não – afinal, alguém sempre ganha. Só que, quando se entra em um jogo, todos aceitam de antemão, tácitamente, que a probabilidade é a mesma para todos. E a probabilidade é uma Lei do Universo, também chamada de Acaso, que é o verso do qual o reverso é a Sincronicidade, a não-causalidade criativa e significativa.

É possível singrar pelos mares das “coincidências significativas” – sincronicidades – mas não desafiar diretamente a probabilidade estatística. Não é de bom-senso acreditar em interferir diretamente na queda de bolinhas numeradas em uma esfera perfeitamente circular, pois não é disso que a Lei da Atração versa. Não colocamos leis físicas contra leis mentais, em disputa, pois isso não é o Princípio da Harmonia subjacente ao Universo. Isso é o equivalente ao “desafiar a Deus para provar que ele existe”, e não costuma ser uma boa idéia, como a metáfora da tentação do diabo à Jesus no deserto nos mostra (Mt 4, 1-1).

Podemos, sim, focalizar a nossa atenção em que temos, já, imediatamente, a abundância, o conforto e o bem-estar, tanto financeiro quanto em todas as outras esferas da vida. E manter a nossa mente aberta pra as infinitas formas de manifestar e concretizar esta forma de pensar. Poderemos trabalhar mais, ou trabalhar diferentemente, ou fazer contatos que nos tragam mais oportunidades, e até aproveitar melhor as oportunidades inesperadas que aparecerem, pois estaremos mais perceptivos a elas. Talvez até participemos de um jogo e ganhemos. Esta pode ser uma inesperada e muito agradável forma de agilizar as coisas. Mas não deve ser o foco principal de nossos pensamentos.

A algum tempo atrás eu estava precisando de dinheiro para algumas necessidades imediatas. Não tinha fonte de renda fixa, meus trabalhos de treinamento ainda estavam incipientes, estava de volta a morar com minha mãe, e sentia-me um pouco insatisfeito de estar contando tostões, calculando o dinheiro que entrava para verificar se cabia no quanto saia…

Um dia eu parei para pensar e disse para mim mesmo: “seria muito bom receber uma bela quantia inesperada!”. E devaneei por algum tempo nisso. Pensei em jogar – porque não? – mas também pensei em trocentas outras formas. O principal foi me concentrar no prazer que seria receber uma bela quantia inesperada, e sentir-me usando aquilo para minhas necessidades do momento.

Passaram uns quinze a vinte dias e telefonou para minha irmã um advogado. Meu pai, que já tinha morrido a alguns anos, estava como parte de um grupo de ex-ferroviários (ele trabalhou para a Central do Brasil) que tinha uma ação na justiça a mais de vinte anos. E, quando a ação foi vencida, os advogados precisavam encontrar os participantes, ou seus herdeiros, para receberem a parte devida, e, é óbvio, receberem as suas comissões.

Assim, minha irmã e eu recebemos uma boa bolada. Nada tão grande quanto uma mega-sena, mais um bom dinheiro muito bem-vindo. E inesperado. Foi uma das inúmeras vezes que constatei, na prática, o poder da Lei da Atração, mesmo antes deste assunto estar tão em voga. Coincidência? Talvez. Sincronicidade? De minha parte, acredito que sim.

Em resumo, não recomendo focalizar a mente apenas em um meio – ganhar em uma loteria – mas abrir a mente para as infinitas possibilidades de prosperidade que o Universo pode nos fornecer. Não é recomendável que se pesquise intensivamente sobre “métodos paranormais” de ganhar na loteria. Na maior parte das vezes os resultados podem ser decepcionantes. É melhor utilizar a energia mental para fazer sucesso com algo que reforce mais a sensação de realização pessoal do que contar apenas com o fator “sorte”.

Eu, pessoamente, não tenho o hábito de jogar na mega-sena. Não sinto intuitivamente que devo jogar. Jogaria, se minha intuição me dissesse que deveria fazer isso. Mas volta e meia me pego devaneando o que faria se recebesse dez ou doze milhões. Mesmo sem jogar, a primeira coisa que fiz foi planejar detalhadamente o que faria com tal soma de dinheiro. O quanto aplicaria, em que investimentos, e o que faria e compraria com o restante. Isso para mim é um fato objetivo – se eu ganhar, tenho que estar preparado para isso, não é? E, se um dia decidir jogar, saberei o que fazer e como me comportar, tanto emocional quanto cognitivamente…

Tenho certeza que chegarei a um momento que terei bastante dinheiro. Pode ser que seja participando de um jogo ou como resultado de um projeto ou trabalho meu. Existem inúmeras formas e não me preocupo em escolher o como obter este resultado. Estou aberto a todas as maravilhosas oportunidades que o Universo me propiciar.

Comments (3)